Quem aqui já quis ser seu próprio chefe? Às vezes, essa vontade vem quando não nos damos tão bem com nosso chefe, ou quando queremos fazer as coisas do nosso jeito e nem sempre é aprovado pelo chefe ou até mesmo quando temos um desejo de abrirmos nosso próprio negócio. Apesar de parecer que ser nosso próprio chefe é algo maravilhoso, se pararmos para analisar bem o que isso significa, nos faz repensar muitas coisas.

Ao longo da minha carreira, tive diferentes tipos de chefe: já tive um chefe de “ouro” como costumava dizer, que me dava as diretrizes e depois deixava eu tocar os programas e projetos do meu jeito. Foi incrível ganhar um direcionamento de alguém com muita experiência e poder aplicar da forma que eu achava que seria bom. É muito mais fácil recebermos essas diretrizes de alguém que sabe muito do que ter que criar algo do zero. Esse é um dos desafios de ser minha própria chefe. Não tenho ninguém me dando diretrizes no dia a dia, por isso, tive que aprender a cria-las.

Também já trabalhei com um chefe voltado para resultados e não para pessoas, que me dava tarefas literalmente impossíveis de serem cumpridas em um prazo curto. Como gosto de trabalhar com intensidade, agarrei esses desafios para poder pelo menos chegar próximo do que ele queria e surpreendentemente por ele ter me dado desafios tão grandes, me desenvolvi muito e entreguei praticamente tudo com apenas um pouco de prazo a mais. Esse é mais um desafio de não ter chefe. Não terá ninguém colocando prazos e cobrando resultados para que você supere seus próprios limites e faça coisas que pareciam impossíveis.

Tive também aquele chefe que compartilhava tudo comigo e que acompanhava os projetos de perto. Era incrível poder compartilhar experiências, fazer projetos e implementar com a certeza de que estava indo no caminho certo e que aquilo traria resultados, pois já havia sido implementado em outras unidades e funcionava muito bem. Quando temos o nosso próprio negócio, não é sempre que temos com quem compartilhar a mesma realidade, só quem está junto é que realmente conhece os desafios e oportunidades do negócio. E outra, fazer algo que já foi feito antes e deu certo é maravilhoso, mas isso nem sempre acontece quando empreendemos.

Enfim, ter chefe e passar a ser minha própria chefe me trouxe muitos ganhos, mas confesso que não foi fácil passar por essa transição. Hoje tudo depende de mim e se eu não desenvolver meus funcionários, não buscar novos conhecimentos, não colocar em prática meus projetos, ninguém vai fazer por mim. Apesar de todos os desafios, me sinto feliz em ser minha própria chefe, mas para me sentir assim, tive que passar por um caminho de aprendizado e adaptação.